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A principal causa do mau hálito é a decomposição de alimentos por bactérias na boca

*Dra. Maura Neves, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 06/09/2022, às 08h20

Olá, pessoal de AnaMaria! O tema desta semana é mau hálito, chamado de halitose na terminologia médica. Trata-se de uma queixa muito frequente entre adultos, de ambos os sexos e com múltiplas causas. Acontece que a simples presença de mau hálito, apesar de não ter grandes repercussões clínicas para a pessoa, pode, na maioria das vezes, provocar sérios prejuízos psicossociais.

Os mais comumente relatados são a insegurança ao se aproximar das pessoas, a depressão, dificuldade em estabelecer relações amorosas, resistência ao sorriso, ansiedade, e baixo desempenho profissional, quando o contato com outras pessoas é necessário. Além disso, a presença da halitose pode indicar a existência de doenças que requerem diagnóstico e tratamento o mais rápido possível. Mas vamos falar disso por etapas!

PORQUE O MAU HÁLITO APARECE?

Na Halitose ocorre uma liberação de odores desagradáveis pela boca ou por outras cavidades, como nariz, seios paranasais e faringe. O termo halitose vem do latim halitus (ar expirado) acrescido do sufixo osis (alteração patológica). Apesar disso, pode ou não ser uma condição patológica.

A principal causa é a decomposição de alimentos por bactérias na boca, que é a causa em 80 a 90% dos casos. O odor desagradável está, na maioria das vezes, relacionado com a presença de compostos sulfurados voláteis (CSV), provenientes da ação de enzimas proteolíticas de bactérias anaeróbicas presentes na boca. Os principais CSV envolvidos no processo são: sulfeto de hidrogênio (H2S), metil mercaptana (CH3SH) e dimetil sulfeto (CH3)2S.

A questão, porém, não decorre somente de problemas na boca. Existem várias outras origens de halitose como sinusites, amigdalites, alterações gastrointestinais, comprometimento da função hepática, renal, alterações endócrinas e uso de alguns medicamentos.

EXISTE MAU HÁLITO NORMAL?

mau hálitoCrédito: Wei Ding/Unsplash

Sim! A halitose matinal é fisiologica, ou seja, normal no nosso corpo. Ela ocorre devido a uma redução do fluxo salivar durante o sono, pela discreta hipoglicemia e aumento da flora bacteriana bucal.

Esta halitose matinal, no entanto, deve desaparecer após a higiene dos dentes (com fio dental e escova), da língua e após a primeira refeição da manhã.

O mau cheiro temporário causado por algum componente específico da dieta como álcool, cebola e alho é facilmente controlado com orientações gerais e higiene oral convencional.

E O MAU HÁLITO COMO DOENÇA?

A diferença para o halitose patológica é a duração, intensidade e persistência da mesma após a higiene bucal. Nestes casos o mau halitose é intenso. Ele é dividido em:

Halitose verdadeira: existe um mau cheiro objetivo.Pseudo- halitose: o mau cheiro não é percebido pelos demais, apesar de o paciente referir sua existênciaHalitofobia: existe uma preocupação e um medo exagerado em relação à presença da halitose, com alterações comportamentais importantes. Estes quadros necessitam não só de tratamento médico voltado para as causas orgânicas de halitose, mas de apoio psicológico e eventual acompanhamento psiquiátrico.

Atualmente, são movimentados milhares de dólares por ano no comércio de pastas dentais, enxágues bucais, máscaras e outros produtos desenvolvidos para combater o mau hálito.

OU SEJA: O PROBLEMA É NA BOCA?

Na maioria das vezes, sim. A boca pode ter problemas como: gengivites, cáries, placa bacteriana estão entre as principais causas. A retração da gengiva causa “ armadilhas” onde o alimento fica preso. Neste cenário há uma inflamação que, muitas vezes, se manifesta como sangramento gengival. Isto causa proliferação de bactérias que geram mau hálito.

Problemas na língua ( glossites) e saburra lingual, aquela camada esbranquiçada na parte de trás da língua também causam halitose. A saburra é muito frequente e decorre de alterações de saliva, descamação da mucosa bucal e proliferação de bactérias. Por isso se relaciona a halitose.

Outros problemas como amigdalite caseosa, com presença de caseo ou restos alimentares na amígdala são causadores frequentes de mau hálito.

E A SALIVA?

Também está relacionada a halitose, especialmente o baixo fluxo de saliva. Isto pode ocorrer por conta de doenças reumatológicas ou por desidratação e baixa ingestão de água.

A saliva é fundamental para manter a mucosa umidificada, manter o ph da boca adequado o que dificulta o crescimento de bactérias odoríferas. Assim, beber água é bem importante! Mas a presença de baixo fluxo salivar deve ser investigado, mesmo sem a presença de “boca seca”.

E FORA DA BOCA?

As causas sistêmicas envolvem alterações gastrointestinais, pulmonares, alimentares, sinusites, medicamentos entre outros. Entre os mais frequentes estão o refluxo e a gastrite. No refluxo pode ocorrer retorno de aromas desagradáveis provenientes da digestão dos alimentos.

Já na gastrite, a presença de algumas bactérias no estômago pode gerar mau hálito. Alguns alimentos, como álcool, alho, cebola e condimentos, são metabolizados pelo corpo e liberados na expiração do ar causando mau odor. No nariz, a rinite e sinusite causam alterações na respiração pelo nariz, ressecamento da boca o que favorece o mau hálito.

E O QUE FAZER?

Muitas pessoas com halitose já trataram as causas mais óbvias, que são os problemas dentários, e tem uma higiene bucal impecável. Se não o fizeram, esta é a primeira medida.

Caso o sintoma se mantenha, existem uma série de problemas que devem ser investigados. Do nariz ao estômago, diversos exames devem ser feitos para descartar ou tratar problemas nestes órgãos.

Outra informação importante é que já dispomos de exames específicos para quantificar o fluxo salivar e a produção de odores por bactérias na boca. Assim, caso detectado, há formas de tratamento voltados para isso. Portanto, para as pessoas com halitose que andam perdidas por aí, vale procurar seu médico!

*DRA. MAURA NEVESé formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui na Revista AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves

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Daniel Joseph

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